4 min leitura
ONU prevê novo aumento recorde da temperatura em 1.9ºC até 2030
Projeção para a próxima década prevê que os aumentos das temperaturas nos próximos anos ultrapassem o atual recorde de 2024.
28 Mai 2026 - 12:31
4 min leitura
Foto: Freepik
- União Europeia deverá totalizar 10 locais de armazenamento de carbono nos próximos anos
- Secretário de Estado defende aposta nas renováveis e biometano para maior resiliência energética
- Tribunal de Contas aprova “maior compra de sempre” de comboios em Portugal
- Reino Unido triplica instalações de painéis solares em telhados num ano
- CE aprova apoio francês de 15 ME para empresas agrícolas e aquícolas afetadas pela crise energética
- Portugal processado pela UE por não transpor diretiva sobre transição verde
Foto: Freepik
As temperaturas médias globais próximas à superfície podem vir a atingir um aumento entre 1,3°C e 1,9°C acima do período pré-industrial de 1850-1900 durante os próximos cinco anos, prevê o relatório da agência meteorológica da ONU e do Met Office do Reino Unido nesta quinta-feira.
O relatório anual mostra ainda que é muito provável que a temperatura média global próxima à superfície ultrapasse temporariamente 1,5°C acima dos níveis médios de 1850-1900 durante pelo menos um ano, entre 2026 e 2030. Isto significa que o recorde de temperaturas mais altas, que atualmente pertence a 2024, quando ultrapassaram 1,5°C acima da era pré-industrial pela primeira vez, poderá vir a ser ultrapassado.
É importante lembrar que, no Acordo de Paris de 2015, os governos prometeram tentar evitar que o aumento médio da temperatura global ultrapassasse 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até ao final do século.
No entanto, Melissa Seabrook, investigadora do Met Office, explicou à Reuters que ultrapassar temporariamente o limiar de 1,5 °C não significa que o Acordo de Paris tenha falhado, “uma vez que este se refere a uma média de longo prazo calculada ao longo de 20 anos, e não à ultrapassagem desse valor num único ano”.
No entanto, Seabrook alerta que à medida que o mundo se aproxima desse limiar, aumenta também a probabilidade de exceder este limite com maior frequência: “A ciência é muito clara ao mostrar que a janela de oportunidade para manter a temperatura média global limitada a uma subida de 1,5 graus está a fechar-se rapidamente”, acrescentou a investigadora.
O ano passado, 2025, foi um dos três anos mais quentes de que há registo até hoje, com a temperatura média global à superfície cerca de 1,43 °C ± 0,13 °C acima da média do período de 1850 a 1900. As temperaturas próximas da superfície em 2025 foram superiores à média de longo prazo em quase todas as regiões terrestres, com anomalias quentes particularmente acentuadas na América do Norte, no Norte de África, na Europa e em certas partes da Ásia.
Relativamente ao inverno ártico, o relatório prevê que as temperaturas devem aumentar mais de três vezes e meia a média global nos próximos cinco anos, atingindo cerca de 2,8°C acima do padrão de 1991–2020, segundo os dados da ONU. Espera-se que o gelo marinho ártico derreta no mês de março ao longo dos próximos cinco anos no Mar de Barents, Mar de Bering e Mar de Okhotsk.
Este aquecimento do poderá também vir a perturbar os sistemas meteorológicos e provocar eventos climáticos extremamente severos no resto do mundo, especialmente no hemisfério norte.
O relatório prevê ainda que, ao longo dos próximos cinco invernos, o clima ficará, mais húmido no hemisfério norte, assim como períodos mais húmidos no norte da Europa, no Alasca e na Sibéria entre maio e setembro. Já na Amazônia, há previsão de tempo seco para esta estação. Os padrões de precipitação observados em 2025 mostram que algumas regiões da América do Sul registaram precipitação inferior à média.
Um El Niño forte também é previsto para o inverno deste ano, podendo persistir até 2027, o que causaria “uma subida das temperaturas globais a níveis potencialmente recorde, devido ao aquecimento do Oceano Pacífico”, disse Seabrook à Reuters. O El Niño é um aquecimento periódico das temperaturas das águas do mar no Oceano Pacífico central e oriental, que normalmente dura entre nove e doze meses.
- União Europeia deverá totalizar 10 locais de armazenamento de carbono nos próximos anos
- Secretário de Estado defende aposta nas renováveis e biometano para maior resiliência energética
- Tribunal de Contas aprova “maior compra de sempre” de comboios em Portugal
- Reino Unido triplica instalações de painéis solares em telhados num ano
- CE aprova apoio francês de 15 ME para empresas agrícolas e aquícolas afetadas pela crise energética
- Portugal processado pela UE por não transpor diretiva sobre transição verde