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Peixes migratórios de água doce caem 81% desde 1970 devido à fragmentação dos rios

Relatório global da CMS alerta para colapso das migrações fluviais e identifica 325 espécies em risco que exigem ação internacional coordenada.

19 Abr 2026 - 15:03

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Hucho Taimen

Hucho Taimen

As populações de peixes migratórios de água doce registaram uma quebra de cerca de 81% a nível global desde 1970, segundo a mais recente avaliação da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens (CMS), um tratado ambiental das Nações Unidas.

O relatório alerta para um colapso acelerado das migrações fluviais, considerado um dos processos ecológicos mais críticos para a manutenção da biodiversidade de água doce.

O documento identifica 325 espécies de peixes migratórios como candidatas a medidas de conservação internacional, sublinhando que a sua sobrevivência depende de ecossistemas fluviais contínuos, hoje fortemente fragmentados por barragens, poluição, sobrepesca e alterações climáticas.

A avaliação, baseada em dados de cerca de 15 mil espécies de peixes de água doce, conclui que a interrupção da conectividade dos rios é o principal fator de declínio. Espécies que dependem de longos percursos migratórios entre zonas de reprodução e alimentação estão entre as mais afetadas.

As regiões mais críticas incluem a bacia do Amazonas, o sistema Paraná–La Plata, o Mekong, o Nilo, o Danúbio e o Ganges–Bramaputra, todas identificadas como prioritárias para ações de conservação transfronteiriça.

A distribuição regional das espécies candidatas a proteção evidencia a concentração do problema na Ásia, com 205 espécies identificadas, seguida da América do Sul (55), Europa (50), África (42) e América do Norte (32). O total ultrapassa 325 espécies devido à sobreposição geográfica de algumas populações.

No caso da Amazónia, o relatório destaca que espécies migratórias representam cerca de 93% das capturas pesqueiras regionais, sustentando uma cadeia económica avaliada em aproximadamente 401 milhões de euros por ano.

Os analistas referem que a degradação destes sistemas poderá ter impactos diretos na segurança alimentar e nos meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas que dependem da pesca de água doce.

O relatório estima ainda que 97% das espécies migratórias listadas pela CMS estão ameaçadas de extinção, refletindo uma tendência generalizada de deterioração dos ecossistemas fluviais. A fragmentação dos rios é apontada como fator decisivo, ao interromper rotas migratórias essenciais para a reprodução e crescimento das espécies.

A CMS defende uma mudança de abordagem na gestão dos recursos hídricos, passando de uma lógica nacional para uma gestão integrada por bacias hidrográficas, com coordenação entre países.

Entre as medidas propostas estão a proteção de corredores migratórios, a manutenção de caudais ecológicos, planos de gestão transfronteiriços e políticas de pesca sazonal coordenada.

Especialistas citados no relatório sublinham que a recuperação das migrações fluviais depende da reabilitação da conectividade dos rios, alertando que a janela de intervenção pode estar a fechar-se rapidamente.

 

 

 

 

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