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REN garante que ondas de calor não ameaçam abastecimento elétrico em Portugal

Apesar dos máximos históricos de consumo de eletricidade, a gestora da rede assegura que o Sistema Elétrico Nacional tem capacidade para responder à procura no verão e não prevê riscos para o abastecimento.

13 Jul 2026 - 06:08

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A onda de calor que atingiu Portugal nos últimos dias levou o Sistema Elétrico Nacional (SEN) a registar novos máximos históricos de consumo de eletricidade em meses de verão, tanto em consumo diário como em ponta de consumo. Segundo dados da REN, o consumo diário atingiu 165,6 GWh no dia 2 de julho, valor que voltou a ser ultrapassado no dia 3 de julho, quando alcançou os 171,1 GWh. O anterior máximo de verão era de 163,4 GWh, registado em 13 de julho de 2022. Apesar destes recordes e perante a expectativa de mais ondas de calor a atingir o território neste verão, a REN garante que o Sistema Elétrico Nacional está preparado para responder a um aumento contínuo dos picos de consumo durante o verão. “Tendo em conta a disponibilidade atual e prevista de produção no Sistema Elétrico Nacional, e as programações em mercado (mercados diários e intradiários), não se vislumbra qualquer cenário de risco de abastecimento de consumos”, garantiu em resposta ao Jornal PT Green.

Questionada sobre a proximidade do limite da capacidade da rede, a REN assegura que “o sistema elétrico respondeu com normalidade e com níveis adequados de segurança”. Segundo a gestora da rede de transporte, o consumo continua a ser assegurado através da produção nacional e das importações de eletricidade, “sem registo de quaisquer constrangimentos”.

A empresa sublinha, por isso, que dispõe de capacidade para responder ao aumento da procura associado aos períodos de temperaturas mais elevadas, afastando, para já, qualquer risco de falhas no abastecimento elétrico.

Além da gestão da procura, a REN refere que mantém uma monitorização permanente das suas infraestruturas durante os episódios de calor extremo. “A REN monitoriza constantemente as suas infraestruturas no sentido de mitigar outras consequências da onda de calor, como por exemplo, eventuais fogos que possam surgir”, referiu em resposta ao jornal.

El Nino e ondas de calor atingem a Europa

A Europa está a viver um verão particularmente intenso. O mês de junho foi o mais quente de que há registo, com uma onda de calor a afetar grande parte do continente durante a segunda metade do mês, segundo o serviço europeu Copernicus. Em paralelo, todo o território da Europa viveu o segundo junho mais quente de sempre, apenas 0,12 °C mais frio do que o junho com temperaturas mais elevadas, registado em 2024, o que provocou fortes impactos nos sistemas de saúde, perturbações na produção de energia e danos em infraestruturas.

Entretanto, a Europa poderá enfrentar “mais semanas mortais” devido ao calor extremo, alertou já a Organização Mundial da Saúde (OMS), dado que uma nova vaga de calor começa a formar-se sobre o Atlântico e ameaça voltar a elevar as temperaturas em vários países do continente.

A OMS aponta Portugal como um dos países mais expostos a este novo episódio de calor intenso, com as temperaturas previstas a poderem atingir os 43 graus Celsius nos próximos dias, segundo a informação avançada pela Reuters.

Recorde-se ainda que, para além das ondas de calor cada vez mais intensas atribuídas a efeitos das alterações climáticas, o possível regresso do fenómeno climático El Niño poderá agravar alguns dos fenómenos extremos já sentidos em Portugal, como ondas de calor, períodos de seca prolongada e maior risco de incêndio rural.

A Organização Meteorológica Mundial indica que se está a registar “uma rápida evolução para um forte evento El Niño durante o período de julho a setembro”.

Esperam-se temperaturas da superfície do mar acima do normal no leste do Pacífico equatorial (80% de probabilidade), assim como no Oceano Índico e no Atlântico tropical, enquanto no Atlântico Norte são prováveis temperaturas abaixo ou próximas do normal.

A atualização aponta ainda, com “uma probabilidade extremamente elevada”, para temperaturas acima da média na maior parte das áreas terrestres fora das regiões polares.

 

 

 

 

 

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