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Rendimentos da agricultura podem aumentar 9% até 2035 num setor que continua vulnerável
Um novo relatório publicado pela FAO e pela OCDE mostra que, se a frequência dos choques observados nos últimos anos se mantiver, existe uma probabilidade de 25% de os rendimentos agrícolas em 2035 serem inferiores aos níveis atuais.
29 Jun 2026 - 16:31
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Foto: Magnific
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O rendimento agrícola bruto por trabalhador deverá aumentar 9% até 2035, impulsionado pelos ganhos de produtividade, segundo um novo relatório divulgado nesta segunda-feira pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO na sigla em inglês) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
No entanto, o mesmo relatório mostra que estas previsões continuam vulneráveis à volatilidade dos mercados provocada por crises e conflitos. As associações estimam que, se a frequência dos choques observados nos últimos anos se mantiver, existe uma probabilidade de 25% de os rendimentos agrícolas em 2035 serem inferiores aos níveis atuais.
Os riscos a curto prazo também são significativos, uma vez que os recentes aumentos dos preços da energia e a consequente redução da utilização de fertilizantes deverão afetar a produção agrícola em 2027.
Enquanto os países de elevado rendimento conseguem absorver estes choques com maior facilidade, os países de baixo rendimento enfrentam uma deterioração da segurança alimentar.
O relatório “Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2026-2035” prevê que, em condições favoráveis, a produção agrícola e das pescas a nível global aumente 13% ao longo da próxima década, impulsionada sobretudo por melhorias de produtividade e pela intensificação da produção, com o crescimento concentrado na Ásia, na África Subsaariana e na América Latina.
Contudo, o relatório destaca mais uma vez os potenciais impactos negativos de choques adversos, mesmo que temporários. Se o aumento médio de 33% dos preços da energia observado no primeiro semestre de 2026 se mantiver durante a segunda metade do ano, a produção mundial de cereais diminuirá 0,9% em 2027 e de forma mais acentuada e 1,7% nos países de baixo rendimento.
As perdas de rendimento associadas e o aumento dos preços dos alimentos obrigariam também os agregados familiares destes países a reduzir o consumo alimentar e a optar por alimentos mais baratos.
“Os nossos sistemas agroalimentares estão sob pressão e os nossos agricultores estão na linha da frente do aumento dos custos da energia e dos fertilizantes”, afirma o Secretário-Geral da OCDE, Mathias Cormann. “A resiliência dos sistemas é a nossa segurança alimentar. Protegê-la exige um melhor apoio para enfrentar choques, investimento contínuo na produtividade e mercados globais abertos e eficientes”, acrescenta.
Segundo o estudo, espera-se que os consumidores dos países de rendimento médio-baixo continuem a diversificar as suas dietas, nomeadamente através de um maior consumo de produtos pecuários à medida que os níveis de vida aumentam.
Por outro lado, as organizações preveem que os países de baixo rendimento, especialmente na África Subsaariana, continuem a ficar para trás relativamente a outras regiões em matéria de segurança alimentar e nutrição.
Ao mesmo tempo, o consumo excessivo de alimentos deverá persistir nos países mais ricos. O Sudeste Asiático deverá representar 39% do crescimento do consumo mundial até 2035, impulsionado pelo crescimento populacional e pelo aumento da procura per capita.
Segundo a FAO e a OCDE, “a cooperação multilateral, os mercados abertos e o comércio agrícola internacional baseado em regras continuam a ser fundamentais para reforçar a segurança alimentar global, apoiar dietas mais diversificadas e contribuir para a estabilização dos rendimentos agrícolas”.
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