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Reservas de gás na Europa caem para o nível mais baixo desde 2013
AIE alerta para maior exposição a interrupções no abastecimento e pressão sobre os preços, com a necessidade de reforçar as compras de gás no verão de 2027 a poder prolongar a tensão nos mercados.
03 Nov 2026 - 10:14
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Fatih Birol AIE | Foto Foto MAE
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Fatih Birol AIE | Foto Foto MAE
Um relatório divulgado nesta terça-feira pela Agência Internacional da Energia prevê que a Europa enfrente um outono e inverno com as reservas de gás natural mais baixas em mais de uma década, situação que pode prolongar tensões nos mercados.
O relatório “Global Gas Security Review 2026” da Agência Internacional da Energia (AEI) salienta que as mudanças estruturais registadas durante a última década transformaram o mercado mundial do gás, tornando-o mais flexível, líquido e interligado, embora também mais complexo.
A expansão das operações no mercado “spot” e o aumento dos contratos de gás natural liquefeito (GNL), com maior flexibilidade no que diz respeito aos seus destinos, reforçaram, segundo a AIE, a ligação entre os mercados regionais e a sua capacidade de fazer face a interrupções no abastecimento.
No entanto, salienta o relatório, a paralisação prática dos fluxos de GNL através do estreito de Ormuz, no contexto do atual conflito no Médio Oriente, reduziu em mais de 60.000 milhões de metros cúbicos (bcm) os fornecimentos de gás provenientes do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos entre março e outubro deste ano.
A interrupção levou os preços do gás na Ásia e na Europa aos níveis mais elevados desde a crise de abastecimento de 2022-2023, assinala a AIE, organismo com sede em Paris.
A agência prevê que a oferta mundial de GNL diminua 3% em 2026, o que equivale a quase 20 bcm. Por seu lado, a procura global de gás deverá cair cerca de 1,5%, ou cerca de 65 bcm, devido à queda da procura no Médio Oriente; ao menor consumo industrial na Europa e à substituição do gás pelo carvão no setor elétrico de vários países asiáticos.
Na União Europeia, os depósitos de armazenamento enfrentam o inverno com os níveis de reservas mais baixos desde 2013, o que aumenta a dependência do abastecimento mundial de GNL para cobrir os picos de procura sazonais.
Esta situação, alerta a AIE, poderá deixar a região especialmente vulnerável, caso o próximo inverno venha a ser mais frio do que o previsto ou se ocorrerem avarias técnicas ou outras interrupções no abastecimento.
Além disso, os baixos níveis de armazenamento na Europa, juntamente com a capacidade limitada de armazenamento dos países importadores de GNL da Ásia e da América do Sul, poderão intensificar a concorrência pelas cargas disponíveis nos próximos meses e exercer uma pressão ascendente sobre os preços no mercado “spot”, especialmente durante os períodos de maior consumo.
A Europa poderá também ter de aumentar substancialmente as compras de gás durante o verão de 2027 para reabastecer as reservas “spot” para o inverno seguinte, o que prolongaria as tensões no mercado mundial durante grande parte do próximo ano, salienta a agência.
O relatório sublinha ainda a importância da Europa reforçar a cooperação internacional em matéria de segurança do abastecimento, apesar da crescente flexibilidade dos mercados mundiais.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT Green
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