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Cimpor nega envolvimento em projeto de incineração de resíduos no Algarve

Empresa garante que não promoveu contactos nem diligências para instalar uma unidade na região, onde o Governo está a estudar uma solução de valorização energética de resíduos.

03 Nov 2026 - 16:16

3 min leitura

Foto Pexels

Aerial view of a yellow excavator working in a densely packed landfill of plastic and trash.

Foto Pexels

O grupo empresarial cimenteiro português Cimpor negou nesta terça-feira ter qualquer envolvimento ou participação no processo para criação de uma incineradora de resíduos no Algarve, região onde conta com uma unidade de produção, no concelho de Loulé.

A posição da empresa surge depois de, na segunda-feira, o presidente da Câmara de Loulé, Telmo Pinto, ter pedido esclarecimentos à ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, sobre o projeto e manifestado a “oposição frontal” do município à instalação de uma unidade de queima de resíduos no concelho, que tem também no seu território, na freguesia de Salir, o Aterro Sanitário do Sotavento.

“A propósito das informações recentemente divulgadas sobre eventuais soluções de valorização energética de resíduos na região do Algarve, a Cimpor esclarece que não tem qualquer envolvimento ou participação em projetos para a instalação de uma unidade de incineração na região”, posicionou-se a empresa num comunicado.

A Cimpor assegurou que “não promoveu nem mantém quaisquer contactos ou diligências com vista ao desenvolvimento de uma iniciativa desta natureza no Algarve” e afastou o cenário de participação, “direta ou indiretamente, em qualquer projeto nesse sentido”.

Na segunda-feira, a Câmara de Loulé comunicou ao Governo a sua “oposição frontal” à instalação de uma incineradora de resíduos no concelho, rejeitando a “concentração sucessiva de equipamentos com impactes relevantes nos mesmos territórios, sem avaliar os efeitos cumulativos, a capacidade de carga de cada concelho e a justa distribuição dos encargos”.

A ministra do Ambiente lançou o projeto para criação de uma unidade de valorização energética de resíduos no Algarve, que está em estudo para encontrar localização e a solução técnica mais vantajosa, mas a Câmara de Loulé quer uma reunião com a tutela e com os técnicos e procura evitar a construção de uma nova incineradora no concelho ou uma solução que passe pela coincineração de resíduos no Centro de Produção da Cimpor já existente no município.

Após o presidente da Câmara de Loulé ter rejeitado a instalação de uma incineradora no concelho e pedido esclarecimentos à ministra do Ambiente, o PSD local, principal partido da oposição ao executivo do PS liderado por Telmo Pinto, divulgou um comunicado a informar ter obtido esclarecimentos da ministra do Ambiente sobre o projeto.

O PSD de Loulé destacou que a ministra assegurou estar em causa “uma infraestrutura nova, construída de raiz”, cuja localização está ainda em avaliação técnica, e elogiou a governante pelo trabalho que está a desenvolver neste âmbito.

O presidente do PSD de Loulé reconheceu que é necessário encontrar uma solução para os resíduos produzidos no Algarve, porque o aterro existente no concelho está a chegar ao limite da sua capacidade, mas considerou que “nenhuma solução deve ser imposta sem rigor, transparência e respeito pelas populações”.

O partido acusou ainda o presidente da Câmara de “instrumentalizar politicamente” o assunto, desrespeitando uma população que “merece respeito” e deve ser informada pelo autarca.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

 

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