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Von der Leyen alerta para custo da dependência energética e defende avanço do Banco para a Descarbonização Industrial

Encerramento do Estreito de Ormuz já custou mais 127 mil ME à Europa em importações de combustíveis fósseis. Banco para a Descarbonização Industrial deverá mobilizar 100 mil ME para apoiar a transformação da indústria.

03 Nov 2026 - 13:49

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Ursula Von der Leyen | Foto Comissão Europeia

Politician speaking at a podium with two microphones, gesturing with open hands on a blue stage with yellow stars.

Ursula Von der Leyen | Foto Comissão Europeia

A dependência europeia dos combustíveis fósseis importados já custou mais 127 mil milhões de euros (ME) desde o encerramento do Estreito de Ormuz, sem que esse aumento da despesa tenha representado qualquer fornecimento adicional de energia. O valor foi atualizado nesta terça-feira por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante a sua intervenção na Cimeira WinWin, em Bruxelas, onde defendeu que a transição energética é também uma questão de competitividade e independência económica.

“Quando importamos petróleo e gás, arriscamo-nos também a importar os choques e as crises que lhes estão associados”, afirmou Von der Leyen, que voltou a defender a aceleração da transição para energias limpas. “A transição energética limpa é, por um lado, uma forma de proteger o nosso clima, mas é também uma questão de competitividade e independência da Europa”, acrescentou.

Von der Leyen reiterou que a União Europeia mantém o objetivo de alcançar a neutralidade climática em 2050 e de reduzir as emissões em 90% até 2040, face a 1990. A presidente da Comissão sublinhou que estes compromissos exigem previsibilidade para as empresas que já estão a investir na transformação dos seus processos produtivos.

“A Europa manterá o rumo, cumprirá as metas a que se comprometeu e apoiará as suas indústrias limpas”, garantiu, referindo que, desde 2021, foram investidos mais de 1,2 biliões de euros em atividades sustentáveis na União Europeia.

Nessa linha, reiterou a necessidade de avançar com o Banco para a Descarbonização Industrial (IDB, na sigla inglesa), que deverá mobilizar 100 mil milhões de euros e apoiar a transformação da indústria. A iniciativa integra o Pacto da Indústria Limpa, apresentado em fevereiro de 2025, e deverá combinar recursos do Fundo de Inovação, receitas do Sistema de Comércio de Licenças de Emissão (CELE) e financiamento associado ao programa InvestEU, estando previsto o banco começar a libertar os primeiros fundos a partir de 2028.

A presidente da CE sublinhou também o crescimento do mercado mundial das tecnologias limpas, na ordem dos 20% ao ano, defendendo que a Europa deve não só utilizar estas soluções, mas também desenvolvê-las e fabricá-las no seu território. “A nossa tarefa é garantir que estas tecnologias não sejam apenas utilizadas na Europa, mas também desenvolvidas e produzidas no nosso continente“, afirmou, assinalando que “há cada vez mais provas de que a ambição climática é um poderoso motor de inovação e crescimento”.

Von der Leyen apontou também o CELE como um dos instrumentos de financiamento da transição. Desde a sua introdução, em 2005, as emissões dos setores abrangidos pelo sistema diminuíram cerca de 50%, enquanto a economia cresceu 30%, segundo os números apresentados pela presidente da Comissão. O mecanismo gerou mais de 270 mil milhões de euros em receitas, que, afirmou, podem ser reinvestidas na inovação e nas tecnologias limpas. “Não nos limitamos a reduzir as emissões: estamos a construir novas indústrias”, concluiu.

 

 

 

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