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Reservas de gás da UE para o inverno estão a 75% da capacidade
O conflito no Médio Oriente e o aumento dos preços do gás dificultaram a reposição das reservas durante o verão, o que aumenta as preocupações com a segurança do abastecimento no inverno deste ano.
27 Out 2026 - 14:10
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As reservas de gás natural da União Europeia (UE) estão atualmente a 75% da capacidade, abaixo dos níveis históricos, revela um novo relatório da Agência da União Europeia de Cooperação dos Reguladores da Energia (ACER, na sigla em inglês), publicado nesta terça-feira.
Segundo o relatório, o conflito no Médio Oriente e o aumento dos preços do gás dificultaram a reposição das reservas durante o verão, o que aumenta as preocupações com a segurança do abastecimento no inverno que se avizinha. No fim do inverno passado, os níveis de armazenamento subterrâneo de gás situavam-se em 28% da capacidade, abaixo dos 34% registados em 2024 e da média dos últimos nove anos, de cerca de 40%.
O ritmo mais lento de reposição das reservas deve-se, entre outros fatores, ao aumento dos preços de importação de gás natural liquefeito (GNL) e ao reduzido interesse comercial no armazenamento durante o verão.
O relatório estima que o custo de reposição das reservas de gás em 2026 possa ter atingido os 27 mil milhões de euros. Embora inferior aos cerca de 100 mil milhões de euros gastos durante a crise energética de 2022, o custo médio do gás armazenado foi o segundo mais elevado da última década.
As perturbações no fornecimento de GNL associadas ao conflito no Médio Oriente terão acrescentado entre 18 mil milhões e 33 mil milhões de euros à fatura europeia de importação de gás, sem que haja mais quantidade a entrar na UE.
Segundo a ACER, estes custos adicionais distribuem-se ao longo da cadeia de valor do gás, afetando os consumidores domésticos e industriais e contribuindo para o aumento dos preços da eletricidade.
As perturbações nas exportações de GNL do Qatar através do estreito de Ormuz reforçaram ainda a dependência da UE face a outros fornecedores, sobretudo os Estados Unidos.
Atualmente, o GNL norte-americano representa cerca de 30% do abastecimento total de gás da UE, enquanto o gás russo corresponde a aproximadamente 11%. Durante o verão de 2026, as importações europeias de GNL diminuíram 14%, não tendo chegado volumes significativos provenientes do Qatar.
As importações de GNL russo recuaram 2% face ao verão de 2025, enquanto os fornecimentos de gás russo por gasoduto diminuíram 3%.
A maior concorrência com os mercados asiáticos pela aquisição de GNL contribuiu também para a subida dos preços do gás na Europa, que se aproximaram dos 90 euros por megawatt-hora (MWh) em meados de outubro.
Ondas de calor aumentaram produção de eletricidadade a gás
O relatório identifica ainda um aumento da procura de gás para a produção de eletricidade durante o verão, devido às sucessivas ondas de calor e aos períodos de seca.
As temperaturas mais elevadas dos rios e a redução dos caudais limitaram a produção de eletricidade de origem nuclear e hídrica e aumentaram a necessidade de recorrer às centrais a gás e a carvão.
Apesar do crescimento da produção solar, a produção de eletricidade a partir de gás aumentou quase 9% durante o verão e 20% em agosto, em comparação com os mesmos períodos de 2025.
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