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Rios com caudais mais baixos dos últimos 35 anos

Os glaciares perderam massa em todas as regiões pelo quarto ano consecutivo, sendo que Ásia e África foram as regiões mais afetadas por catástrofes relacionadas com a água, segundo a Organização Meteorológica Mundial.

17 Set 2026 - 11:09

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Foto: Magnific

Foto: Magnific

Os rios de todo o mundo registaram, em 2025, um dos anos mais secos dos últimos 35 anos, com caudais abaixo do normal em 36% da área das bacias hidrográficas do mundo, segundo um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta quinta-feira. A conclusão baseia-se em dados de simulações de 13 modelos hidrológicos globais, alimentados por dados meteorológicos observados.

O documento mostra a continuidade da diminuição, a longo prazo, do armazenamento de água doce na Terra e do recuo dos glaciares, tendências “com implicações graves para as populações e as economias no futuro”, segundo a OMM. Entre 2023 e 2025, os glaciares perderam massa em cada ano analisado, com uma perda acumulada global de 1400 gigatoneladas de água.

O relatório sobre o estado dos recursos hídricos globais de 2025 mostra que o ciclo da água se tornou mais irregular e imprevisível, oscilando entre a escassez e o excesso. Os últimos sete anos registaram o menor número de rios com caudais ‘normais’ desde 1991.

A Ásia e África representaram, em conjunto, pelo menos metade de todos os fenómenos extremos relacionados com a água registados e mais de 80% das mortes associadas comunicadas nos últimos cinco anos.

“Algumas partes deste ciclo são rápidas, como a precipitação, o caudal dos rios e a humidade do solo, respondendo às condições meteorológicas em dias ou semanas. Outras, como as águas subterrâneas, os glaciares e a neve sazonal, são lentas, acumulando-se ou diminuindo ao longo de estações, décadas ou períodos mais longos. Tradicionalmente, estas reservas lentas têm funcionado como a conta-poupança do planeta: um amortecedor que absorve os anos maus, para que uma única seca ou estação seca não se transforme diretamente numa crise hídrica”, afirma Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, acrescentando que “estamos a esgotar essa conta-poupança”.

A OMM indica ainda que estão a decorrer mais catástrofes naturais relacionadas com a água e que o fortalecimento do El Niño irá aumentar o risco de seca em algumas zonas e de inundações noutras.

O relatório indica também que, pelo sétimo ano consecutivo, o número de bacias hidrográficas em condições normais foi claramente minoritário: entre 34% e 38%, face a uma média de 46% no período 1991-2020.

No que toca ao armazenamento, a quantidade total de água armazenada nas águas subterrâneas, lagos e rios, humidade do solo, vegetação, gelo e neve encontra-se em declínio desde meados da década de 2010.

Celeste Saulo chama ainda a atenção para a necessidade de criar e partilhar dados entre os países, dado que “a água não respeita fronteiras. O balanço hídrico de uma bacia hidrográfica depende do que acontece noutro país. O recuo de um glaciar num país altera a disponibilidade de água para populações situadas centenas de quilómetros a jusante”, refere.

 

 

 

 

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