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Stress térmico intensifica-se em todo o mundo com noites mais quentes e épocas de calor mais longas
A Europa está entre as regiões mais afetadas pelo aumento do stress térmico, com dias de calor extremo 2,5 vezes mais frequentes do que nos anos 1970. A época de calor dura agora de maio a outubro.
16 Jul 2026 - 06:21
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Foto: Magnific
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Foto: Magnific
O stress térmico está a agravar-se em todo o planeta, com mais dias de calor perigoso, noites mais quentes e períodos de exposição mais prolongados. A conclusão é de um estudo publicado na revista Nature Climate Change, que analisou a evolução do stress térmico global desde 1950 através de dados do Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus (C3S).
A investigação utilizou o conjunto de dados que avalia a forma como o calor é sentido pelo corpo humano, considerando fatores como temperatura, humidade, vento e radiação.
Os investigadores concluíram que o calor extremo não está apenas a tornar-se mais intenso, está também a ocorrer com maior frequência, durante mais tempo e a afetar áreas cada vez maiores.
Segundo a análise divulgada pelo serviço Copernicus, os indicadores globais de temperatura de sensação térmica, dias de stress térmico e noites tropicais aumentaram significativamente desde os anos 1970.
A temperatura máxima de sensação térmica nos 10 dias mais quentes do ano subiu, em média, 0,27 graus Celsius por década, enquanto as temperaturas mínimas noturnas aumentaram ainda mais rapidamente, 0,32 graus Celsius por década.
Esta evolução traduz-se em mais dois dias por década com pelo menos stress térmico forte, mais um dia com stress térmico muito forte e duas noites tropicais adicionais.
“O calor noturno está a tornar-se uma componente cada vez mais importante, porque as noites quentes reduzem a oportunidade de o corpo humano recuperar do calor acumulado durante o dia”, explica Rebecca Emerton, cientista do C3S e autora principal do estudo.
A comparação entre 2015-2024 e os anos 1970 mostra que a Europa, o norte de África e a Península Arábica estão entre as regiões com maior aumento das temperaturas de sensação térmica, com valores atualmente até quatro graus Celsius superiores, chegando localmente aos cinco graus.
O estudo indica ainda que o stress térmico extremo ocorre atualmente 2,5 vezes mais frequentemente na Europa e na América do Sul, duplicou na América do Norte e aumentou também em África, Oceânia e Ásia.

Gráfico: Copernicus
Calor na Europa de maio a outubro
A época de stress térmico também está a prolongar-se. No hemisfério norte, o período anual com stress térmico moderado aumentou, em média, 15 dias desde os anos 1970. Para níveis de stress térmico forte, o aumento é de 12 dias.
Na Europa, o stress térmico moderado começa agora, em média, em meados de maio, em vez do início de junho, e prolonga-se até quase outubro.
A exposição da população ao calor perigoso também aumentou. Nos anos 1970, 55% da população mundial estava sujeita a pelo menos 90 dias de stress térmico forte por ano. Atualmente, essa percentagem subiu para 70%.
A exposição a pelo menos um dia de stress térmico extremo passou de 16% para 22% da população mundial, o equivalente a mais mil milhões de pessoas afetadas anualmente.
Os investigadores alertam que os valores poderão ser conservadores, uma vez que os dados globais não representam totalmente fenómenos locais, como as ilhas de calor urbanas.
O estudo conclui que, à medida que o planeta aquece, o stress térmico torna-se um risco crescente para a saúde humana, com impactos cada vez mais evidentes na duração das épocas de calor, na recuperação durante a noite e no número de pessoas expostas.
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