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Trabalho híbrido pode cortar até 90% das emissões nas deslocações

Estudo indica que reduzir viagens diárias para escritórios nos centros urbanos é o fator com grande impacto climático. Cerca de 66% da população portuguesa utiliza carro nas suas deslocações diárias.

21 Abr 2026 - 16:25

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Foto: Unsplash

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Um novo estudo da International Workplace Group (IWG), em parceria com a Arup, conclui que o trabalho híbrido pode reduzir até 90% das emissões de carbono associadas às deslocações profissionais. Trabalhar em espaços “mais localizados” diminui drasticamente a necessidade de viagens longas e frequentes para escritórios nos centros das cidades.

Em Portugal, o peso é ainda evidente. Segundo o Inventário Nacional de Emissões, os transportes representaram, em 2022, 35,4% do consumo final de energia e cerca de 30% das emissões de gases com efeito de estufa. A dependência do automóvel agrava o cenário, com cerca de 66% da população a utilizar carro nas deslocações diárias, com valores superiores em cidades como Braga, Aveiro e Coimbra.

Mesmo na capital portuguesa, onde a oferta de transportes públicos é mais robusta, mais de 60% das deslocações continuam a ser feitas de automóvel. Entram diariamente cerca de 390 mil carros na Área Metropolitana de Lisboa, de acordo com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes.

A análise, realizada em 2024 pela Mortar Research e que avaliou seis cidades entre Estados Unidos e do Reino Unido, aponta para uma relação direta entre dependência do automóvel e potencial de redução. Atlanta surge no topo, com uma redução potencial de 90%, seguida de Los Angeles (87%) e New York (82%). No Reino Unido, Glasgow (80%), Manchester (70%) e Londres (49%) também registam benefícios significativos quando os trabalhadores reduzem as deslocações diárias.

O modelo tradicional (cinco dias por semana num escritório central) é, segundo o estudo, o mais poluente, sobretudo devido à distância percorrida. Em Londres, por exemplo, dividir a semana entre um escritório central e um espaço local permite cortar as emissões em 49%, enquanto alternar entre casa e um espaço local reduz 43%, face ao modelo integralmente presencial.

Na Europa, o transporte continua a ser um dos principais entraves à descarbonização. Dados da Agência Europeia do Ambiente indicam que o setor representa cerca de 25% das emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia e é o único em que estas têm aumentado nas últimas três décadas, em grande parte devido às deslocações casa-trabalho.

Neste contexto, o estudo sublinha que países com forte dependência do transporte individual, como Portugal, têm margem significativa para reduzir emissões através de modelos de trabalho mais flexíveis e descentralizados. Além do impacto ambiental, há resultados colaterais: empresas que adotaram regimes híbridos reportam reduções de cerca de 19% no consumo energético, associadas a uma utilização mais eficiente dos escritórios.

“Mudar hábitos enraizados leva tempo, mas políticas adequadas e infraestruturas de apoio podem acelerar a adoção do trabalho híbrido e facilitar a proximidade entre o trabalho e a vida das pessoas”, defende o CEO da IWG, Mark Dixon.

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