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UE e Canadá reforçam cooperação nas matérias críticas e cadeias de abastecimento
Ursula Von der Leyen anuncia o Canadá como país estreante da Aliança para o Futuro, que visa estabelecer novos parceiros estratégicos globais. Cooperação transatlântica estende-se à área da IA, educação e investigação.
29 Out 2026 - 15:48
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Ursula von Der Leyen presidente da CE com o primeiro ministro do Canadá Mark Carney | Foto Wikimedia
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Ursula von Der Leyen presidente da CE com o primeiro ministro do Canadá Mark Carney | Foto Wikimedia
A União Europeia (UE) e o Canadá vão criar um espaço único para as cadeias de abastecimento estratégicas de matérias críticas, anunciou Ursula von der Leyen, nesta quinta-feira, na Cimeira União Europeia–Canadá, que está a decorrer em Montreal.
A solução surge em resposta à situação geopolítica internacional que tem posto em causa a segurança do abastecimento de matérias críticas essenciais. “Estamos a assistir a uma deterioração mais profunda da ordem internacional. As alianças e as certezas que sustentaram a nossa prosperidade e segurança estão a mudar rapidamente, e cada nação ou região procura formas de proteger os seus próprios interesses e a sua independência”, referiu a presidente da Comissão Europeia. E defendeu que os países já não se podem limitar pelas fronteiras da antiga ordem mundial: “Conhecemos os riscos, mas também vemos um caminho a seguir: uma nova fronteira. Precisamos de imaginar parcerias assentes na confiança e orientadas por interesses e convicções comuns”.
Von der Leyen reforçou que a UE e o Canadá poderão enfrentar a nova realidade em conjunto. “Num mundo de rivalidades crescentes, a soberania e a independência já não significam apenas a liberdade de agir sozinho. Significam a capacidade de agir em conjunto. É por isso que vamos construir uma Aliança para o Futuro, começando pelo Canadá. Em conjunto, queremos criar um espaço comum de crescimento e prosperidade, resiliência e segurança económica”, referiu.
No seu discurso, sublinhou a particularidade de reforçar relações estratégicas, políticas e económicas que garantam segurança em áreas cruciais como a energia, semicondutores e matérias-primas críticas. “É por isso que a União Europeia e o Canadá vão criar um espaço único para as cadeias de abastecimento estratégicas”, garantiu.
Na prática, o estreitar de relações significa investimentos conjuntos, incluindo financiamento privado de ambos os lados. A presidente da CE referiu que UE e Canadá vão trabalhar numa carteira de projetos com bancos de investimento, bancos de exportação e bancos de infraestruturas de ambas as partes. “Queremos também garantir que as empresas possam aproveitar oportunidades nos mercados umas das outras”, assegurou, dando como exemplo os “recursos abundantes“ do país liderado por Mark Carney. “O Canadá dispõe de recursos abundantes e de uma vasta experiência no setor mineiro. A Europa contribui com procura industrial, tecnologia e investimento. Somos complementares ao longo de toda a cadeia de valor, desde a extração de minerais ao seu processamento, passando pelo desenvolvimento de materiais avançados e pela reciclagem”, sublinhou.
Ao abrigo daquela que foi a primeira parceria estratégica nas matérias críticas, Von der Leyen referiu que, em 2025, as importações de matérias-primas críticas canadianas para a União Europeia aumentaram 62% em valor, atingindo 3,3 mil milhões de euros. Entre estes materiais encontram-se o lítio, o cobalto, o níquel e a grafite.
Da cimeira resultou também o estreitar da cooperação na área da inteligência artificial (IA), na investigação, na educação e na defesa do Ártico.
No caso das tecnologias, os dois blocos vão criar normas de segurança para a utilização da IA e finalizar um acordo que permitirá integrar o Canadá nas infraestruturas europeias de supercomputação. “Tanto o Canadá como a Europa acreditam que esta tecnologia deve estar ao serviço das pessoas. Por isso, trabalharemos em conjunto para enfrentar diretamente os problemas de segurança associados a uma inteligência artificial que evolua sem controlo. Desenvolveremos em conjunto regras e normas, bem como uma governação global sólida. Colocamos a capacidade de decisão humana em primeiro lugar”, referiu Von der Leyen.
Vai ser também reforçada a participação do Canadá na próxima geração do Horizonte Europa, de modo a permitir que investigadores e cientistas colaborem e inovem em conjunto. No campo da educação, a abertura do programa Erasmus ao Canadá permitirá o intercambio de estudantes nos dois blocos atlânticos.
UE e Canadá concordaram também em unir forças para defenderem o Ártico contra a ameaça da Rússia.
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