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Portugal pede à UE medidas para compensar isolamento energético da Península Ibérica

Na discussão sobre o quadro energético europeu pós-2030, o secretário de estado da Energia considerou que as futuras metas devem conciliar os objetivos climáticos com o reforço da segurança energética, da soberania e da competitividade económica.

29 Out 2026 - 16:35

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Foto União Europeia

Large circular conference chamber with delegates seated around curved black desks, screens showing a speaker at the front.

Foto União Europeia

O incumprimento das metas europeias de interligação elétrica deve dar lugar à adoção de medidas que compensem o isolamento energético da Península Ibérica, defendeu nesta quinta-feira o secretário de estado da Energia, Jean Barroca, durante a discussão dos ministros da Energia da União Europeia (UE), acerca do plano energético pós-2030. 

“Se não for possível cumprir as metas de interligação, devem ser adotadas medidas adequadas para compensar a Península Ibérica enquanto ilha energética isolada do restante mercado da União Europeia”, afirmou Jean Barroca.

No Conselho, o secretário de estado considerou ainda que as futuras metas devem conciliar os objetivos climáticos com o reforço da segurança energética, da soberania e da competitividade económica.

“O quadro pós-2030 deve traduzir a nossa ambição climática em resultados concretos, reforçando simultaneamente a segurança energética, a soberania e, naturalmente, a competitividade económica”, sublinhou, acrescentando que é necessário garantir um ambiente previsível para o investimento, suficientemente flexível para refletir as especificidades nacionais.

Relativamente às energias renováveis, Jean Barroca relembrou que Portugal, juntamente com Espanha e com Luxemburgo, apelou à Comissão Europeia para estabelecer uma meta “ambiciosa e realista” para o período pós-2030 e acelerar a integração das fontes renováveis no sistema energético europeu.

No domínio da eficiência energética, o secretário de Estado manifestou apoio à definição de uma meta indicativa após 2030, baseada na intensidade energética por setor e na metodologia prevista na Diretiva Eficiência Energética.

Para Portugal, os progressos nesta área devem ser acompanhados em conjunto com a taxa de eletrificação e a relação entre os preços da eletricidade e do gás natural, assegurando que os ganhos de eficiência se traduzem numa redução dos custos energéticos e numa melhoria da competitividade das famílias e das empresas.

Quanto à flexibilidade do sistema elétrico, o secretário de estado defendeu que as futuras metas devem reconhecer diferentes soluções, incluindo o armazenamento em baterias, a bombagem hidroelétrica, o armazenamento térmico, o carregamento inteligente e as comunidades de energia.

“As metas e os mecanismos de apoio devem permitir que todas as soluções que contribuam efetivamente para a adequação do sistema, a flexibilidade e a segurança do abastecimento possam competir em condições de igualdade”, sustentou.

Portugal manifestou ainda abertura à introdução de uma meta indicativa para a taxa de eletrificação do consumo final de energia, acompanhada de indicadores que permitam avaliar a competitividade da eletricidade face aos combustíveis fósseis.

Por último, Jean Barroca considerou que “a resiliência energética deve tornar-se uma dimensão mais explícita” do futuro quadro europeu, defendendo que as metas devem reforçar a segurança energética, a competitividade e a descarbonização, sem comprometer a flexibilidade dos estados-membros na escolha das soluções mais adequadas para cada realidade nacional. 

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