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Bruxelas lança Quadro para a Resiliência Climática para integrar riscos climáticos nas decisões públicas
Adaptação às alterações climáticas deverá exigir 70 mil milhões de euros por ano. Comissão Europeia prevê novas medidas para enfrentar ondas de calor, reforçar os seguros e melhorar a resiliência hídrica.
28 Out 2026 - 06:40
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Wopke Hoekstra comissário europeu para o Clima | Foto CE
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Wopke Hoekstra comissário europeu para o Clima | Foto CE
A Comissão Europeia lançou nesta terça-feira o Quadro Europeu para a Resiliência Climática, destinado a reforçar a capacidade da Europa para antecipar, preparar-se e gerir os riscos climáticos.
O objetivo é integrar a resiliência climática em todos os principais domínios das políticas públicas, tanto internas como transnacionais. Para tal, vai ser reforçada a capacidade de a Europa se preparar e responder a fenómenos climáticos extremos através de um Plano Europeu para as Ondas de Calor, de uma Aliança para o Seguro Climático e de uma Iniciativa Europeia para a Água.
Será também criado um grupo consultivo PreparEU sobre preparação para catástrofes e lançada uma iniciativa para identificar os 100 territórios europeus mais vulneráveis às alterações climáticas. Bruxelas vai ainda propor um plano estratégico da UE para a resiliência climática em 2028, com o objetivo de garantir uma ação europeia precoce e decisiva.
A CE salienta também o papel das empresas no desenvolvimento e expansão da indústria europeia da resiliência climática. Adaptar as infraestruturas e a economia europeias às condições climáticas futuras deverá exigir um investimento de cerca de 70 mil milhões de euros por ano. No entanto, estima-se que o retorno dos investimentos na adaptação climática possa ultrapassar dez vezes o seu valor, em perdas e danos evitados.
Dados da CE indicam que as perdas económicas estimadas provocadas pelos danos climáticos entre 2022 e 2025 ascenderam a cerca de 200 mil milhões de euros, ou 50 mil milhões de euros por ano.
“A Europa está a aquecer ao dobro da velocidade global. Para nos tornarmos verdadeiramente resilientes às alterações climáticas, temos de nos adaptar e aprender ao longo do caminho. Hoje, apresentamos uma abordagem europeia aos riscos climáticos — para os antecipar, preparar-nos para eles e geri-los. Estamos a garantir que a resiliência climática seja integrada nas políticas em todo o continente, apoiando o investimento, a inovação e o crescimento a longo prazo”, refere a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O Quadro prevê a disponibilização de ferramentas digitais para ajudar autoridades públicas, empresas e comunidades a identificar e gerir riscos climáticos. Entre elas está o Visualizador Climático Europeu, desenvolvido pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF), que permitirá consultar um mapa interativo dos riscos climáticos previstos para a Europa e que, através da iniciativa Destination Earth, deverá integrar capacidades de supercomputação. A Agência Europeia do Ambiente (AEA) desenvolverá o Navegador de Ferramentas de Resiliência Climática, que ajuda a encontrar recursos adequados à localização, ao setor de atividade e aos riscos identificados. Já o Explorador de Soluções reúne medidas práticas de adaptação desenvolvidas e testadas no âmbito da Missão da UE para a Adaptação às Alterações Climáticas.
Para Wopke Hoekstra, comissário europeu responsável pelo Clima, “é muito melhor investir antecipadamente do que enfrentar posteriormente o sofrimento e as consequências devastadoras das ondas de calor e das inundações. Por outras palavras: investimos agora, poupamos mais no futuro e protegemos os nossos cidadãos”.
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