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UE repensa proibição de carros a combustão sob pressão de fabricantes e políticos

Alemanha diz que proibição a partir de 2035 ameaça a competitividade europeia no setor, face aos desenvolvimentos da China e dos EUA. Recuo poderá adiar a proibição efetiva por mais cinco anos, ou até mesmo enfraquecê-la indefinidamente.

15 Dez 2025 - 11:33

4 min leitura

Foto: Freepik

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A proibição efetiva da União Europeia (UE) à venda de novos carros a combustão a partir de 2035 deverá ser revertida já nesta terça-feira, no dia em que a Comissão Europeia (CE) vai apresentar o pacote para o setor automóvel. A pressão para recuar na legislação vem nomeadamente da Alemanha, Itália e dos fabricantes europeus, como a Volkswagen e a Stellantis – dona da Fiat -, ao verem-se ameaçados pela concorrência chinesa e norte-americana.

Tanto Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu, como o chanceler alemão, Friedrich Merz, fizeram com que a Comissão cedesse, ao argumentar que a decisão fora “um grave erro de política industrial” e que revertê-la é uma forma de garantir a competitividade da UE no setor.

Após meses de pressão, a presidente da CE, Ursula von der Leyen, membro da família política de Weber, prometeu agora o pacote para o setor. A líder da UE reuniu com Weber e Merz na semana passada e terão chegado a um acordo para suavizar a meta de redução de CO2 para 2035 de 100% para 90%, ainda sem confirmação oficial, de acordo com o POLITICO.

A medida poderá adiar a proibição efetiva por mais cinco anos, ou até mesmo enfraquecê-la indefinidamente, avança a agência Reuters.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, por sua vez instou a Comissão a não recuar na lei, de acordo com uma carta a que a Reuters teve acesso na sexta-feira. O governante escreveu que “qualquer flexibilização adicional (da política) poderia provocar um atraso significativo nos investimentos em modernização, associado a uma desaceleração temporária na procura de veículos elétricos”.

A lei, estabelecida em 2023, exige que todos os carros e carrinhas novos comercializados no bloco a partir de 2035 sejam livres de emissões de CO2. Cumprir as metas significa vender mais veículos elétricos, área em que os fabricantes de automóveis europeus ainda ficam atrás de marcas como a americana Tesla e ou das asiáticas BYD e Geely.

Fósseis vs. elétricos

A renúncia desta lei tem dividido o próprio setor automóvel, num frente-a-frente entre fabricantes tradicionais e elétricos. “A tecnologia está pronta, a infraestrutura de carregamento está pronta e os consumidores estão prontos”, defendeu o CEO da fabricante de elétricos Polestar, Michael Lohscheller, citado pela Reuters. “Então, do que estamos à espera?”.

O diretor executivo do grupo de defesa do transporte limpo T&E, William Todts, reitera que “a Europa precisa de manter o rumo em relação aos veículos elétricos”, porque “é claro que o futuro é elétrico”.

Já o CEO da Ford, Jim Farley, argumentou que os elétricos ainda não são uma realidade sustentável para a Europa atual, ao anunciar uma parceria com a Renault, na última semana. A seu ver, as necessidades da indústria “não estão bem equilibradas” com as metas de carbono da UE, adicionou na altura aos jornalistas franceses.

O setor automóvel contribui para 7% do PIB da UE e garante cerca de 13 milhões de postos de trabalho, mas tem enfrentado vários desafios. Os principais são a guerra comercial iniciada pela administração de Donald Trump, o crescimento da China no mercado, e o abrandamento das vendas internas. Em novembro, o vice-presidente para a Prosperidade e Estratégia Industrial da Comissão, Stéphane Séjourné, alertava que se a UE não intervir, em 10 anos, os carros produzidos e comercializados no bloco cairão de 13 para nove milhões.

Por sua vez, a indústria dos elétricos acredita que reverter a medida irá prejudicar o investimento e afastar ainda mais a UE da China. “Irá definitivamente ter um efeito”, reconheceu Rick Wilmer, diretor executivo da ChargePoint, à Reuters.

“Num mundo em que praticamente todos sabem que o futuro pertence aos veículos elétricos a bateria, esta é uma estratégia de curto prazo que terá consequências devastadoras para a competitividade futura”, reconhece a T&E.

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