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Ventos estratosféricos podem antecipar picos de procura elétrica na Europa no inverno

Episódios de aquecimento súbito da estratosfera aumentam entre 1,5 e três vezes a probabilidade de procura extrema de eletricidade na Europa.

11 Out 2026 - 15:36

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Foto Magnific

Aerial view of fluffy white clouds over a dark mountain range beneath a clear blue sky.

Foto Magnific

Os ventos que circulam na estratosfera, a cerca de 10 a 50 quilómetros de altitude, podem ajudar a antecipar períodos de frio extremo e picos de consumo elétrico na Europa durante o inverno.

Um estudo liderado pela Universidade de Exeter, em Inglaterra, concluiu que os episódios de aquecimento súbito da estratosfera aumentam entre 1,5 e três vezes a probabilidade de procura extrema de eletricidade no Norte e Centro da Europa. O estudo define procura extrema como um nível de consumo pelo menos 20% superior à média.

A situação justifica-se por uma alteração na circulação normal dos ventos polares durante o inverno. Normalmente, ventos fortes e estáveis de oeste circulam em torno do Ártico, a grande altitude, durante o inverno. Este fenómeno é conhecido como ‘vórtice polar estratosférico’.  Mas cerca de uma vez a cada dois anos, em média, o vórtice enfraquece temporariamente ou divide-se, num fenómeno denominado ‘aquecimento súbito da estratosfera’. Este fenómeno aquece o vórtice, mas pode também provocar a deslocação de ar frio, próximo da superfície terrestre, para latitudes mais a sul, incluindo regiões da Europa e da América do Norte, sublinha a análise.

As vagas de frio que se seguem a estes episódios, como aconteceu durante o fenómeno de 2018 conhecido como Besta do Leste’, chegam normalmente algumas semanas depois de os ventos polares na estratosfera mudarem de direção. “Isto significa que estes episódios podem dar aos governos e aos fornecedores de energia um aviso antecipado para se prepararem para níveis extremos de procura”, conclui a investigação.

“Estes fenómenos nem sempre afetam as temperaturas à superfície, mas, neste caso, foram seguidos por um período de frio intenso no Reino Unido e em grande parte do Norte da Europa”, explica o investigador Regan Mudhar.

O estudo concluiu que a variação da procura de energia difere entre países. Por exemplo, os países escandinavos, que estão em grande medida adaptados ao frio extremo, registaram um aumento menor do consumo de energia quando as temperaturas desceram. Em contrapartida, França, que possui um sistema energético altamente eletrificado, registou um aumento da procura muito mais acentuado.

“À medida que avançamos para a neutralidade climática, uma grande parte do aquecimento tradicional a gás terá de ser eletrificada, ou seja, substituída por bombas de calor. Nesse contexto, os períodos de frio acompanhados por pouco vento tornar-se-ão cada vez mais difíceis para manter o fornecimento de eletricidade e, simultaneamente, garantir custos reduzidos para os consumidores”, alerta Hannah Bloomfield, investigadora da Universidade de Newcastle.

A investigação conclui que, embora seja crucial continuar a redução das emissões para mitigar as alterações climáticas, “é importante avaliar o nosso grau de preparação para fenómenos extremos como estes, à medida que avançamos para fontes de energia renováveis”.

 

 

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