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Bruxelas prepara novas orientações sobre gestão do risco de seca

Objetivo é reforçar a eficiência hídrica, promover soluções baseadas na natureza e a reutilização da água e aumentar a resiliência à seca e às inundações.

03 Nov 2026 - 07:00

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Foto Freepik

A lone green shoot growing from cracked dry earth under a bright blue sky.

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A Comissão Europeia (CE) deverá publicar ainda antes do final do ano as novas orientações sobre a gestão do risco de seca e os indicadores de seca da União Europeia. O objetivo é incentivar os Estados-membros a integrarem a resiliência climática nos seus planos de gestão das bacias hidrográficas, nos programas de medidas para o meio marinho e nos planos de gestão dos riscos de inundação.

Bruxelas defende que é necessário existirem “dados e indicadores sólidos, coerentes e comparáveis em toda a União para a definição de políticas, o planeamento e a execução de medidas com base em evidências”.

As orientações integram o novo Quadro para a Resiliência Climática, lançado recentemente pela Comissão Europeia, que visa integrar os riscos climáticos nas decisões públicas.

No âmbito deste quadro, a CE prevê também desenvolver uma nova Iniciativa Europeia para a Água, destinada a aprofundar e complementar a Estratégia para a Resiliência Hídrica, incluindo o futuro Acelerador de Investimento para a Resiliência Hídrica e o Plano de Ação para a Digitalização do Setor da Água, bem como o Pacto para os Oceanos.

A iniciativa vai dar prioridade a áreas como a eficiência hídrica, as soluções baseadas na natureza, a retenção natural de água, a reutilização e o reforço da resiliência à seca e às inundações.

Seca estende-se à Europa

Recorde-se que a Europa viveu um verão particularmente intenso em termos de calor. Em 2026, houve 17 dias em que pelo menos 60% da Europa Ocidental registou temperaturas superiores a 30 graus Celsius. Em Portugal, região de Lisboa e Setúbal e o interior norte, junto à fronteira, destacaram-se com as temperaturas mais altas.

Segundo dados divulgados pelo Serviço de Monitorização da Atmosfera do Copernicus, a temperatura média na Europa Ocidental chegou aos 21,7 graus Celsius durante o verão, 2,5 graus acima da média registada entre 1991 e 2020, ultrapassando o anterior recorde, estabelecido em 2003.

“A Europa viveu um verão de extremos climáticos combinados em 2026. Stress térmico recorde, condições de seca generalizadas, caudais dos rios excecionalmente baixos e temperaturas do mar invulgarmente elevadas ocorreram em simultâneo em grande parte do continente”, explicou na altura Samantha Burgess, responsável estratégica pelo clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo.

“As consequências foram muito além dos recordes de temperatura, afetando a disponibilidade de água, os sistemas energéticos, os transportes, os ecossistemas e a saúde humana. À medida que o clima continua a aquecer, fenómenos como estes evidenciam a importância de reforçar a resiliência face a riscos climáticos cada vez mais interligados”, acrescenta a responsável.

 

 

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