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Eletricidade no consumo global aumentará dos atuais 23% para mais de 50% em 2050
Relatório da IRENA mostra que transição para longe dos combustíveis fósseis significa uma reestruturação completa da infraestrutura de energia. E alerta que os sistemas de energia atuais continuam despreparados para cumprir a meta climática de 1,5°C.
20 Mai 2026 - 16:24
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Imagem: Magnific
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A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) prevê que a eletricidade no consumo global aumentará dos atuais 23% para 35% em 2035 e para mais de 50% em 2050, com a procura crescente a ser suprida principalmente por energias renováveis. No seu novo relatório “Transição para longe dos combustíveis fósseis: Um roteiro baseado em energias renováveis, eletrificação e aprimoramento da rede”, antevê também a redução da utilização de combustíveis fósseis em todos os setores, com os valores a passarem dos atuais 80% para 50% em 2035 e para menos de 20% em 2050.
Segundo o relatório lançado esta quarta-feira, a eletrificação está a tornar-se o principal impulsionador estrutural do declínio dos combustíveis fósseis nos principais setores de uso final. Esta transição significaria uma reestruturação completa da infraestrutura de energia e da alocação de investimentos.
Neste sentido, os países devem investir simultaneamente em redes, armazenamento e flexibilidade do sistema para garantir sistemas de eletricidade confiáveis, seguros e acessíveis, capazes de suportar a crescente procura.
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O diretor-geral da IRENA, Francisco La Camera, afirma em comunicado que “o mundo precisa de adaptar-se a uma nova realidade energética”. Explica, ainda, que o documento apresentado pela IRENA mostra claramente que “a eletrificação contribui para a mitigação do clima, melhora a segurança energética ao aumentar a independência dos combustíveis fósseis importados e reforça a competitividade económica por meio da criação de novas cadeias de valor industrial e da inovação.”
No entanto, o relatório salienta que a infraestrutura de energia se tornou um dos principais pontos de estrangulamento, com cerca de 2.500 gigawatts de energia eólica e solar a aguardar para ter conexão com as redes. As metas até 2035 e 2050 não serão alcançadas sem que haja licenciamento acelerado e sem investimento em escala. A IRENA estima que as necessidades de investimento na rede ultrapassem 1 bilião e 30 mil milhões de euros por ano, mais do dobro dos cerca de 430 mil milhões de euros investidos em 2025.

O estudo alerta que embora as metas globais de triplicar a capacidade de energia renovável e duplicar as melhorias de eficiência energética até 2030 continuem a ser essenciais, não são suficientes para realizar a transição energética global.
Além das preocupações atuais com a segurança energética, o documento chama a atenção para os sistemas de energia atuais, que permanecem estruturalmente despreparados para cumprir a meta climática de 1,5°C.
De acordo com o relatório, à medida que a procura aumenta rapidamente nos setores de transporte, indústria, edifícios e digitalização, a transição deve-se concentrar cada vez mais na eletrificação desses setores, ao mesmo tempo em que se afasta dos combustíveis fósseis.
La Camera acrescenta que “além das metas de triplicar as energias renováveis e dobrar a eficiência energética, existe o desafio mais amplo de transformar sistemas energéticos inteiros e reduzir o uso de combustíveis fósseis em toda a oferta e demanda. Assim, conclui que “a eletrificação e a eliminação gradual dos combustíveis fósseis são inseparáveis e devem avançar juntas.”
O documento também destaca a importância de monitorizar o progresso da eletrificação, do aperfeiçoamento da rede e do declínio dos combustíveis fósseis para apoiar a implementação e orientar a cooperação internacional.
Na COP28, o Consenso dos Emirados Árabes Unidos e o Primeiro Balanço Global do Acordo de Paris pediram a triplicação das energias renováveis e a duplicação da eficiência energética até 2030.
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