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Líderes mundiais anunciam 6 mil ME para proteção dos oceanos
Mais de 5 000 participantes, incluindo chefes de Estado, ministros e cientistas, estiveram reunidos na primeira conferência “O Nosso Oceano” realizada em África.
19 Jun 2026 - 06:16
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Mais de 100 governos, empresas e organizações da sociedade civil anunciaram 320 novos compromissos, avaliados em cerca de 6 mil milhões de euros (ME), para promover a conservação dos oceanos, a pesca sustentável, a resiliência climática e a economia azul, no decorrer da Conferência “O Nosso Oceano” 2026, que terminou nesta quinta-feira em Mombaça, no Quénia.
A União Europeia, por exemplo, anunciou um fundo de 338,35 milhões de euros para apoiar a conservação dos oceanos, a pesca sustentável e a segurança marítima. Já o Canadá comprometeu-se a investir cerca de 630 milhões de euros no Programa de Pequenos Portos de Pesca, para apoiar comunidades costeiras e rurais, a atividade piscatória e as economias locais.
O Grupo Banco Mundial anunciou planos para investir cerca de 925 milhões de euros nos próximos dois anos para ajudar os países em desenvolvimento a construir economias azuis sustentáveis e resilientes.
O Quénia comprometeu-se a investir cerca de 185 milhões de euros na instalação de sistemas de monitorização eletrónica em todos os navios de pesca industrial que operam nas suas águas.
A conferência reuniu mais de 5 000 participantes, incluindo chefes de Estado, ministros, cientistas, líderes indígenas, representantes da juventude, dirigentes empresariais e organizações da sociedade civil. O programa incluiu sessões plenárias de liderança, painéis temáticos de alto nível, eventos paralelos oficiais, exposições, iniciativas comunitárias e culturais, um Fórum Executivo de Negócios e Investimento, uma Cimeira de Liderança Jovem e um Simpósio de Investigação.
“Esta conferência visa transformar palavras em compromissos, compromissos em ações e ações num legado do qual nos possamos orgulhar”, afirmou Hassan Ali Joho, Secretário de Estado do Quénia para a Mineração e a Economia Azul.
Os organizadores sublinharam o papel crucial dos jovens na promoção de soluções para os oceanos, numa altura em que mais de 70% da população africana tem menos de 35 anos.
Para além de gerar novos compromissos, a conferência funciona também como um mecanismo de acompanhamento e responsabilização. O World Resources Institute, secretariado da conferência, analisou os progressos dos compromissos assumidos em África desde o início da iniciativa, em 2014. Os dados revelam que cerca de 78% dos compromissos estão concluídos ou em fase de implementação. Embora muitos tenham sido historicamente impulsionados por entidades externas ao continente, a conferência de 2026 evidenciou uma mudança crescente para soluções, financiamento e implementação liderados por países africanos.
“Para muitos jovens africanos, o oceano não é apenas uma questão ambiental. É uma fonte de emprego, segurança alimentar e oportunidades económicas. Os compromissos anunciados em Mombaça demonstram um reconhecimento crescente de que investir na saúde dos oceanos é investir no futuro de África”, salienta Wanjira Mathai, diretora-geral para África e Parcerias Globais do World Resources Institute.
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