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Petróleo e gás continuam a dominar energia global apesar do agravamento da crise climática
Relatório da GlobalData refere que grandes empresas do setor voltam a dar prioridade aos combustíveis fósseis, reduzem metas de emissões e recuam em projetos renováveis, enquanto sobem emissões de CO2.
27 Dez 2025 - 09:30
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A indústria petrolífera entra em 2026 numa inversão da trajetória de descarbonização, num momento em que os desastres se multiplicam e as emissões de dióxido de carbono relacionadas com a energia continuam a atingir novos máximos. Os combustíveis fósseis mantêm o domínio no cabaz energético mundial, apesar “dos apelos contínuos para a redução das emissões”, segundo a GlobalData.
As principais petrolíferas mantêm formalmente o compromisso com a redução da pegada de carbono e com objetivos de neutralidade para 2050, confirma o relatório “Transição Energética no Petróleo e Gás” da consultora especializada na análise de mercados energéticos. No entanto, a GlobalData salienta que na prática as estratégias empresariais têm-se tornado “cada vez mais cautelosas”, condicionadas pela volatilidade dos mercados e pela instabilidade das políticas públicas.
“Nos últimos 12 a 18 meses, o tão divulgado impulso de transição energética da indústria permaneceu em grande parte na fase de discussões iniciais e projetos-piloto limitados, em vez de se materializar em grande escala”, revelou Ravindra Puranik. A analista da consultora explica que “a perturbação energética pós-2022 e as preocupações relacionadas com o abastecimento diminuíram o apetite do setor por mudanças radicais no mix energético”.
Os casos da BP e da Shell ilustram a alteração estratégica. A primeira aumentou os investimentos em petróleo e gás convencional, vendeu projetos de energias renováveis e reduziu as metas de emissões a curto prazo, descreve o relatório. A segunda suspendeu a construção de uma fábrica de combustíveis renováveis, em Roterdão, nos Países Baixos, justificando a decisão com perspetivas de mercado desfavoráveis. A GlobalData explica que ambas as empresas recuperam a retórica da “disciplina financeira” para justificar o regresso aos negócios tradicionais.
Os investimentos em energias renováveis, particularmente eólica e solar, prosseguem, mas com hesitação, indica a consultora. Puranik constata que “o entusiasmo inicial em torno da transição energética global diminuiu em 2025”, resultado de questões de rentabilidade, inflação e a retirada de incentivos governamentais em mercados cruciais, como os EUA.
As tecnologias de captura de carbono, hidrogénio, combustíveis de baixo carbono e armazenamento de energia continuam a ser exploradas. Contudo, “2025 marcou o início de um período de retração estratégica”, alerta a GlobalData. As principais empresas do setor reduziram a exposição às renováveis, reforçaram a aposta em petróleo e gás e adotaram uma postura de prudência financeira. A consultora descreve que, em vez de acelerarem a transição, optam agora “por uma abordagem ponderada para equilibrar o risco”.
A conclusão de Puranik é reveladora: “A prudência financeira e a segurança energética estão a orientar as decisões. Embora a inovação continue, a transição atual é mais incremental e pragmática, e a implementação de projetos de baixo carbono em grande escala ainda está intimamente ligada à evolução do mercado e das políticas”.
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