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Plano “Made in Europe” poderá reduzir custos de produção de baterias em um terço

Plano visa estabelecer limites mínimos para produção de componentes em setores estratégicos na União Europeia, para combater domínio asiático. Plano é apresentado nesta quarta-feira.

03 Mar 2026 - 07:29

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Foto: Freepik

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Os custos de produção de baterias poderão reduzir em cerca de um terço com a aplicação do plano “Made in Europe”, que a Comissão Europeia vai apesentar na próxima quarta-feira com o objetivo de estabelecer limites mínimos para produção de componentes para setores estratégicos, incluindo baterias, energia solar e eólica e também energia nuclear.

Segundo uma nova análise da organização Transport & Environment (T&E), o aumento de escala poderá reduzir a atual vantagem de custos dos fabricantes asiáticos de baterias.

Ao analisar os principais componentes de custo de um veículo elétrico e a evolução dos custos das baterias caso estas fossem produzidas localmente em grande escala, a T&E concluiu que uma parte substancial da cadeia de valor de um veículo elétrico já é local, com 45% a 70% do valor proveniente de componentes-chave produzidos na Europa.

Indica também que as baterias representam a maior fatia dos custos de produção, variando entre 83% e 86%, dependendo do fabricante automóvel. Caso a produção fosse relocalizada na Europa, as baterias representariam mais de 90% do aumento adicional de custos.

A análise apurou também que as células de bateria europeias são, em média, 17% mais caras do que as produzidas nos EUA e 90% mais caras do que as produzidas na China. No entanto, esta diferença reflete sobretudo economias de escala limitadas e não uma desvantagem estrutural.

“Com o aumento de escala proporcionado por políticas adequadas, é expectável que a diferença temporária de custos diminua significativamente: melhorias na eficiência de fabrico (nomeadamente taxas de desperdício mais baixas), maior qualificação da mão de obra e automatização poderão reduzir os custos em quase um terço”, indica a T&E na análise divulgada nesta segunda-feira.

Isto traduz-se numa diferença de custos de cerca de 12,90 € por kWh para as químicas NMC (Níquel-Manganês-Cobalto) e LFP (Lítio-Ferro-Fosfato) até 2030, face aos atuais 37,70 € – 39,60 € por kWh, indica a organização.

No entanto, a redução da diferença de custos das baterias “só ocorrerá se forem introduzidos requisitos consistentes de conteúdo da União para baterias. Estes deverão abranger apenas setores estratégicos em risco de instrumentalização das cadeias de abastecimento, incluindo componentes a montante como materiais precursores, e aplicar-se a todos os regimes de incentivos públicos, incluindo os atuais regimes de tributação automóvel empresarial”, refere a T&E, acrescentando que “a resiliência e a segurança, especialmente à escala continental, são responsabilidades fundamentais dos governos, e não da indústria”.

O plano prevê que os sistemas de baterias adquiridos através de contratos públicos tenham de ser montados na UE 12 meses após a entrada em vigor da legislação, com o sistema de gestão e dois outros componentes obrigatoriamente produzidos no bloco. Dois anos depois, as exigências seriam reforçadas, com o próprio sistema de baterias a ter de ser fabricado na Europa, assim como componentes essenciais, incluindo as células.

A iniciativa surge como resposta à crescente hegemonia chinesa na produção de painéis solares e baterias e ao avanço de Pequim em setores onde a Europa ainda mantém vantagem competitiva, como o fabrico de turbinas eólicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

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