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União para a Conservação da Natureza identifica quase 50 mil espécies ameaçadas de extinção

O valor corresponde a cerca de 28% das espécies identificadas. A mineração em águas profundas é apontada como uma das principais ameaças às espécies na atualidade.

09 Jul 2026 - 15:48

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Foto: Numbat australiano | IUCN

Foto: Numbat australiano | IUCN

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla inglesa) atualizou a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas a nível global, indicando que, das 175 909 espécies identificadas, exatamente 49 505 estão ameaçadas de extinção, o que corresponde a 28,14% das mesmas.

Só a mineração em águas profundas ameaça mais de metade dos moluscos dependentes de fontes hidrotermais. Na Namíbia e na África do Sul, a mineração de diamantes e o desenvolvimento industrial proposto colocaram a rã-da-chuva-do-deserto mais próxima da extinção, exemplifica a IUCN, que indica também que, na Austrália, o numbat melhorou o seu estatuto graças a décadas de ações de conservação, mas a sua sobrevivência depende da continuidade desses esforços.

A IUCN destaca sobretudo o impacto da mineração no mar profundo nas espécies. Nomeadamente, 62% dos moluscos endémicos associados a fontes hidrotermais (125 das 201 espécies conhecidas em todo o mundo) estão em risco de extinção devido à mineração em águas profundas para obtenção de minerais valiosos, revela a IUCN. Encontrados apenas a profundidades de até 5 000 metros abaixo do nível do mar, junto de fontes que libertam água com temperaturas superiores a 450 °C, muitos destes moluscos — incluindo caracóis, lapas, mexilhões, amêijoas e quítons — foram descobertos nos últimos 10 anos e já enfrentam risco de extinção devido à perturbação humana dos seus habitats, explica a autoridade internacional.

“A exploração do fundo marinho e a extração de minerais, cuja procura está a aumentar devido à utilização em novas tecnologias, criam nuvens de sedimentos que cobrem estes animais, afetando a sua capacidade de respirar e de absorver nutrientes da água circundante”, pode ler-se na nota divulgada.

Por exemplo, Lirapex felix — um caracol cujo nome faz referência à sorte dos investigadores por o terem encontrado — foi agora incluído na Lista Vermelha como Criticamente em Perigo, devido à exploração mineira em curso no oceano Índico.

“Muitas espécies associadas a fontes hidrotermais enfrentam ameaças semelhantes, à medida que estas zonas fora da jurisdição nacional são exploradas para mineração, com contratos controlados por vários países”, explica a IUCN.

A avaliação global dos moluscos endémicos de fontes hidrotermais também revela o valor das áreas protegidas e conservadas, onde a mineração não é permitida. Mais de 30 espécies de fontes hidrotermais em todo o mundo estão classificadas como Pouco Preocupantes graças ao facto de viverem em Áreas Marinhas Protegidas, como Provanna exquisita, um caracol ornamentado que existe apenas na Reserva Nacional de Vida Selvagem do Arco das Marianas, no Oceano Pacífico.

“Esta avaliação global revela que os moluscos endémicos das fontes hidrotermais profundas são um dos grupos animais mais ameaçados, num momento crítico para o seu futuro. A nossa nova compreensão dos impactos da mineração em águas profundas lança luz sobre uma nova fronteira da ciência e da conservação, fornecendo informação importante enquanto a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos se reúne na Jamaica este mês”, sublinha Julia Sigwart, membro do Grupo de Especialistas em Moluscos da Comissão de Sobrevivência das Espécies da IUCN.

 

 

 

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