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Custos da energia e falta de investimento travam indústria limpa na Europa
Nos últimos 10 a 15 anos, as emissões de alguns dos principais poluentes atmosféricos provenientes da indústria diminuíram para menos de metade, segundo um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente.
20 Out 2026 - 12:24
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A falta de financiamento, os elevados custos da energia e as infraestruturas insuficientes estão a atrasar a transformação da indústria europeia, apesar dos progressos na redução da poluição, mostra um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla inglesa), publicado nesta terça-feira.
O estudo Europe’s industrial transformation: from environmental progress to clean competitiveness conclui que o principal desafio já não é desenvolver novas tecnologias, mas criar as condições necessárias para as implementar em larga escala e reforçar a competitividade da Europa.
Embora muitas instalações industriais já utilizem tecnologias viáveis de baixo carbono e de economia circular, a sua adoção generalizada depende da previsibilidade das políticas públicas e do acesso a infraestruturas adequadas e a energia limpa a preços acessíveis, conclui o estudo.
Segundo a EEA, a legislação europeia contribuiu para reduzir a poluição industrial. Nos últimos 10 a 15 anos, as emissões de alguns dos principais poluentes atmosféricos provenientes da indústria diminuíram para menos de metade.
Apesar destes progressos, a indústria continua a exercer uma pressão significativa sobre o ambiente e o clima. O consumo total de água da indústria transformadora permanece praticamente inalterado desde 2010, enquanto a pegada material da União Europeia (UE) se mantém acima da média mundial e as taxas de circularidade estagnaram.
O relatório identifica ainda limitações nos progressos da descarbonização dos processos produtivos. Embora as emissões totais de gases com efeito de estufa tenham diminuído substancialmente nos diferentes setores industriais, as emissões de dióxido de carbono por tonelada de produto fabricado nos setores do cimento e do ferro e aço registaram apenas alterações ou reduções mínimas nos últimos 15 anos.
Para a agência europeia, estes resultados indicam que uma parte significativa das reduções de emissões alcançadas até à data não resultaram de mudanças nos processos de produção. As indústrias com utilização intensiva de energia continuam, por isso, a dispor de uma margem considerável para avançar na descarbonização, contribuindo para os objetivos climáticos europeus.
A EEA estima que, até 2030, exista uma lacuna de financiamento anual de 30 a 60 mil milhões de euros para a transformação industrial, que só poderá ser colmatada através de um quadro político ambicioso e da mobilização de capital privado.
A agência destaca ainda os atrasos no desenvolvimento de infraestruturas para a eletricidade, o hidrogénio e a captura e armazenamento de carbono, bem como as dificuldades de acesso a matérias-primas necessárias à transição e as fragilidades na disponibilidade de competências técnicas.
O acesso mais rápido a eletricidade renovável a baixo custo é também apontado como uma condição importante para reforçar a segurança energética e a competitividade industrial.
A transformação das indústrias com utilização intensiva de energia terá de ocorrer num contexto de concorrência internacional crescente. Embora uma indústria mais limpa e eficiente na utilização dos recursos possa reforçar a competitividade europeia a longo prazo, os custos iniciais da transição poderão criar dificuldades às empresas no curto e médio prazo.
Neste contexto, a EEA considera que a regulamentação ambiental, a fixação de um preço para o carbono e a melhoria das condições de investimento poderão não ser suficientes, por si só, para orientar a indústria ao longo da transição sem comprometer a sua competitividade.
O relatório defende, por isso, uma política industrial verde integrada, capaz de conciliar os objetivos económicos, ambientais e climáticos da UE.
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