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Fusão nuclear atrai investimento recorde e aproxima-se do mercado de capitais

Start-ups captam 2,3 mil milhões de dólares em 2025, impulsionadas pela expectativa de energia limpa e abundante, apesar de persistirem dúvidas sobre a viabilidade comercial desta tecnologia.

12 Fev 2026 - 10:57

4 min leitura

Foto: Pexels/Sarowar Hussain

Foto: Pexels/Sarowar Hussain

As start-ups de fusão nuclear registaram um número recorde de rondas de financiamento em 2025, reforçando a confiança dos investidores numa tecnologia que promete energia barata, abundante e sem emissões.

Segundo dados do grupo de mercados privados PitchBook citados pelo Financial Times, foram realizadas 43 rondas de investimento, totalizando cerca de 2,3 mil milhões de dólares (2,14 mil milhões de euros), o valor mais elevado desde 2021.

Embora a maior parte do financiamento continue a vir de capital privado, algumas empresas começam a recorrer ao mercado de capitais. A canadiana General Fusion planeia tornar-se a primeira empresa de fusão “pure-play” cotada em bolsa através de uma fusão com uma SPAC, uma empresa criada para entrar em bolsa e depois fundir-se com uma empresa privada, permitindo-lhe tornar-se cotada sem uma IPO tradicional. Também a norte-americana TAE Technologies anunciou uma operação semelhante avaliada em cerca de 6 mil milhões de dólares, nomeadamente com a Trump Media & Technology Group (TMTG), detida em 58,7% pelo Presidente Donald Trump.

Após a conclusão do negócio, prevista para meados de 2026, os acionistas de cada empresa deterão aproximadamente 50% da nova entidade, numa base de capital totalmente diluído.

A empresa combinada pretende localizar e iniciar, já em 2026, a construção da primeira central elétrica de fusão à escala comercial do mundo, com uma capacidade inicial de 50 MWe, sujeita às aprovações necessárias, estando planeadas unidades adicionais entre 350 e 500 MWe.

A corrida à fusão acontece também deste lado do Atlântico. A agência europeia Fusion for Energy (F4E) e a empresa sueca Novatron Fusion Group assinaram, em dezembro passado, um acordo de colaboração para partilhar conhecimentos e experiências em investigação e desenvolvimento de fusão nuclear.

Recorde-se ainda que a Gauss Fusion, empresa europeia de tecnologia verde fundada para construir a primeira central de fusão comercial do continente, completou o primeiro estudo abrangente europeu de mapeamento de clusters industriais e locais de energia adequados para a primeira geração de centrais de fusão na Europa.

O estudo, realizado em colaboração com a Universidade Técnica de Munique (TUM), identifica 150 clusters industriais com 900 locais na Europa, todos potencialmente capazes de acolher a primeira geração de centrais de fusão. Os potenciais locais foram identificados na Alemanha (53), França (14), Itália (7), Espanha (17), Suíça, Dinamarca (5), Países Baixos (7), Áustria (7) e República Checa (8), estando tipicamente situados em centros industriais ou áreas de elevada procura energética.

Importa distinguir a tradicional energia de fissão, cujas primeiras centrais começaram a operar na década de 1950, da ainda em investigação energia de fusão. A fissão permite produzir grandes quantidades de energia de forma estável e com baixas emissões de carbono, mas levanta preocupações relacionadas com a segurança, os elevados custos e a produção de resíduos radioativos de longa duração. Já a fusão apresenta vantagens significativas: utiliza combustíveis abundantes, não emite dióxido de carbono durante a operação, produz resíduos muito mais reduzidos e de curta duração e não envolve os mesmos riscos de acidentes graves. Por estas razões, a energia de fusão é vista como uma solução potencialmente mais segura e sustentável, embora ainda enfrente desafios tecnológicos antes de poder ser aplicada comercialmente.

A Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA, na sigla em inglês) aponta a energia de fusão como uma prioridade estratégica para investigação e desenvolvimento na área da energia limpa. A organização destaca os resultados alcançados com o projeto ITER (International Thermonuclear Experimental Reacto), a maior experiência científica global de fusão nuclear, com o objetivo de provar a viabilidade da fusão como fonte de energia limpa e segura e que está a decorrer em França. “A fusão entrou numa nova fase decisiva”, refere a IAEA, destacando que 33 países e milhares de engenheiros e cientistas “estão a colaborar para construir e operar um dispositivo de fusão magnética projetado para provar a viabilidade da fusão como fonte de energia em grande escala e livre de carbono”.

Esta nova fase é impulsionada sobretudo pela necessidade de descarbonização da sociedade e pela acelerada implementação de centros de dados e tecnologias de inteligência artificial, conforme confirmou em entrevista ao Jornal PT Green o professor no Departamento de Física do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, Pedro Ferreira. “Com a inteligência artificial e com a necessidade de descarbonização, sem sombra de dúvidas que os reatores nucleares são uma solução”, referiu na altura.

 

 

 

 

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