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UE aumenta compras de GNL do Ártico russo e Sines recebe duas cargas

A Europa absorveu quase toda a produção do projeto russo Yamal LNG no primeiro semestre de 2026, mantendo um papel central na logística e comercialização do gás russo do Ártico.

13 Jul 2026 - 12:19

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Porto de Sines | Foto: APS

Porto de Sines | Foto: APS

A União Europeia (UE) pagou um montante estimado de 5,96 mil milhões de euros pelo gás natural liquefeito (GNL) proveniente do projeto Yamal LNG, no Ártico russo, durante os primeiros seis meses de 2026.

Uma nova análise da ONG alemã Urgewald, baseada em dados do serviço de informação Kpler, revela que, entre janeiro e junho de 2026, das 140 cargas expedidas a nível mundial, 136 foram entregues em portos da UE, sendo que duas das cargas foram entregues no porto de Sines. Isto representa mais de 97% de todas as entregas de GNL provenientes de Yamal.

A Urgevald destaca, por outro lado, que a China recebeu apenas quatro cargas ao longo de todo o período de seis meses.

Este facto “evidencia um aumento significativo do papel da Europa na manutenção da atividade do projeto Yamal LNG”, destaca a ONG, indicando que, nos primeiros seis meses de 2025, a UE recebeu 117 cargas, correspondentes a 8,57 milhões de toneladas. Nos primeiros seis meses de 2026, esse número aumentou para 136 cargas e 9,97 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 16% em volume.

No mesmo período, as entregas destinadas à Ásia sofreram uma quebra acentuada, passando de 25 cargas e 1,80 milhões de toneladas nos primeiros seis meses de 2025 para apenas quatro cargas e 282.248 toneladas nos primeiros seis meses de 2026, uma redução de 84%.

“A Europa não está apenas a comprar GNL russo. Está a absorver praticamente toda a produção de um dos projetos de GNL estrategicamente mais importantes da Rússia”, refere a organização alemã em comunicado.

Nos primeiros seis meses de 2026, os principais destinos do gás natural liquefeito (GNL) proveniente da Yamal LNG na UE foram a França, que recebeu 51 cargas, correspondentes a 3,74 milhões de toneladas, seguida da Bélgica, com 37 cargas e 2,70 milhões de toneladas, e da Espanha, com 34 cargas e 2,50 milhões de toneladas. Os Países Baixos importaram 12 cargas, num total de 881.970 toneladas, enquanto Portugal recebeu 2 cargas, equivalentes a 147.170 toneladas.

A ONG refere ainda que a instalação russa Yamal LNG depende fortemente da infraestrutura europeia. Isto porque, estando localizada no Ártico, a sua operacionalização exige uma frota especializada de navios da classe de gelo Arc7 e acesso regular a portos europeus, que permitem manter as exportações durante o período mais difícil de navegação no Ártico. Segundo a Urgewald, a Europa não é apenas o principal destino do GNL de Yamal, mas também uma peça essencial da sua cadeia logística. A dependência estende-se aos estaleiros, com o dinamarquês Fayard a ser atualmente o último da UE a assegurar a manutenção destes navios especializados. Até seis embarcações poderão necessitar de serviços antes da entrada em vigor, em janeiro de 2027, da proibição europeia de serviços marítimos a navios de GNL russo.

“No quinto ano da guerra contra a Ucrânia, a União Europeia continua a ajudar a manter à tona o setor russo de GNL do Ártico. O projeto Yamal LNG depende de uma pequena frota especializada, de portos europeus e de serviços europeus para manter as exportações em funcionamento”, assinala Sebastian Rötters, da Urgewald. E acrescenta: “Os números são elucidativos. Quase todas as cargas de Yamal expedidas durante os primeiros seis meses de 2026 tiveram como destino a Europa. A China praticamente deixou de ser um mercado de destino neste período, enquanto a UE se tornou ainda mais central para o projeto”.

Recorde-se que os 27 Estados-membros adotaram formalmente no início do ano o regulamento que institui a eliminação gradual até 2027 das importações russas de gás canalizado e GNL. As importações de GNL serão totalmente vedadas a partir do início de 2027, enquanto o gás canalizado só poderá circular até ao outono do mesmo ano.

 

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