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Unidade de produção de biometano em Ferreira do Alentejo entra em consulta pública

O Estudo de Impacte Ambiental está em consulta pública até 25 de novembro no portal Participa, da Agência Portuguesa do Ambiente.

27 Out 2026 - 14:56

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PT Green

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O projeto de uma unidade de produção de biometano em Ferreira do Alentejo, com capacidade para receber quase 70 mil toneladas anuais de resíduos orgânicos de bovino e de bagaço de azeitona, está em consulta pública.

O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da denominada Unidade de Produção de Biometano de Ferreira do Alentejo, consultado nesta terça-feira pela agência Lusa, está em consulta pública até 25 de novembro no portal Participa, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Segundo o Resumo Não Técnico (RNT) do EIA, o projeto consiste na construção e exploração de uma unidade de produção de biometano no Parque Agroindustrial do Penique, na freguesia de Odivelas, concelho de Ferreira do Alentejo, distrito de Beja.

A instalação, que se prevê que envolva um investimento de 20 milhões de euros, destina-se à valorização de resíduos orgânicos biodegradáveis, designadamente estrume de bovino e chorume (líquido resultante da decomposição daquela matéria) e bagaço de azeitona.

Com uma vida útil prevista de 25 anos, a unidade industrial, promovida pela empresa FBG Ferreira do Alentejo, vai valorizar os resíduos orgânicos “através de um processo de digestão anaeróbia”, com vista à “produção de biogás, seguido de purificação e liquefação do biometano”.

De acordo com o promotor, a fábrica “terá capacidade para produzir, anualmente, 4.892.754 Nm3 [metros cúbicos normais] de biometano com qualidade para injeção na Rede Nacional de Distribuição de Gás Natural (RNDGN)”.

“Para isso, a capacidade instalada de receção de resíduos orgânicos (efluentes pecuários e resíduos agroindustriais) é de 69.500 toneladas por ano”, salienta.

O promotor explica que, “após a digestão anaeróbia da matéria orgânica, para além do biogás, é gerado o digerido”, um subproduto que é separado nas frações líquida e sólida, cuja valorização agrícola está prevista.

“A utilização agrícola dependerá do cumprimento das condições aplicáveis, caracterização do digerido e seleção de parcelas adequadas”, assinala, indicando que, “enquanto não for possível obter o Fim do Estatuto de Resíduo (FER), o digerido será enviado para operador de tratamento de resíduos devidamente licenciado”.

A unidade, com uma área de cerca de 2,1 hectares, enquadra-se nos “objetivos nacionais e europeus de transição energética, descarbonização da economia e valorização de recursos endógenos”, pode ler-se.

Quanto a eventuais impactos, são admitidas no RNT do EIA do projeto “emissões atmosféricas durante a operação, nomeadamente libertação de CO2 [dióxido de carbono] e de odores”, assim como ruído durante o funcionamento dos equipamentos e aumento do tráfego terrestre, entre outros.

“Durante a exploração, estimam-se cerca de 21 camiões por dia para o transporte de matérias-primas, digerido e biometano, podendo atingir cerca de 33 camiões por dia durante a campanha da azeitona. Acrescem os transportes de água e de CO2 liquefeito, estimados em um camião por dia para cada fluxo”, refere o promotor.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT Green

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