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Reino Unido lança guia para ajudar PME a entrar no mercado global da fusão nuclear
Setor em desenvolvimento poderá ultrapassar os 117 mil milhões de euros até 2035 e abre novas oportunidades industriais para PME em engenharia, tecnologia e inovação.
14 Abr 2026 - 16:03
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O Reino Unido continua a posicionar-se na corrida à promissora energia de fusão nuclear. Depois de, em março passado, ter anunciado uma nova Estratégia de Fusão, o Governo liderado por Keir Starmer quer envolver também as pequenas e médias empresas (PME) na identificação de oportunidades e na entrada no ecossistema global da fusão nuclear. Através da Autoridade de Energia Atómica do Reino Unido (UKAEA, na sigla inglesa), lança nesta terça-feira um guia prático para ajudar as PME a perceber como podem colaborar com desenvolvedores de tecnologia de fusão e integrar cadeias de fornecimento internacionais, mesmo sem experiência prévia no setor.
Recorde-se que a fusão nuclear é diferente da fissão nuclear usada nas centrais atuais. A energia de fusão ainda está em fase de desenvolvimento e não é atualmente utilizada de forma comercial, porém, apresenta vantagens significativas, como a produção de energia com muito baixas emissões de carbono, menor risco de acidentes graves em comparação com a fissão e a ausência de resíduos radioativos de longa duração.
O Governo britânico destaca que o setor global da energia de fusão está a entrar numa fase de forte crescimento, criando novas oportunidades económicas e industriais.
Segundo dados do setor, existem atualmente mais de 68 empresas privadas de fusão em operação a nível global, para além de grandes programas públicos de investigação em vários países. Entre 2026 e 2035, estima-se que o investimento global na área ultrapasse os 117 mil milhões de euros, com uma parte significativa direcionada para engenharia, sistemas industriais, componentes e serviços especializados, com destaque para empresas como a Commonwealth Fusion Systems, China Fusion Energy Corporation, Neo Fusion e TAE Technologies. Mais de 90% deste capital está concentrado nos Estados Unidos e na China.
Esta evolução está a abrir oportunidades em várias áreas estratégicas, incluindo engenharia avançada, robótica, materiais inovadores, sistemas digitais, criogenia, lasers, tecnologias de manipulação remota e inteligência artificial. Muitas destas competências já existem em PME tradicionais, o que facilita a sua entrada neste novo mercado emergente, desta a UKAEA.
O guia também apresenta uma visão geral dos principais mercados internacionais, incluindo Reino Unido, Europa, Estados Unidos e Ásia, explicando os diferentes caminhos de acesso para fornecedores, desde portais de contratação até programas de financiamento e inovação.
Além disso, o documento aborda os enquadramentos regulatórios aplicáveis à fusão, destacando as diferenças face à energia nuclear de fissão e explicando como as empresas podem iniciar a sua participação no setor através de clusters industriais, eventos especializados e candidaturas a programas de apoio à inovação.
A UKAEA sublinha que o objetivo do guia é reduzir barreiras de entrada e acelerar a participação das PME numa cadeia de valor global em rápida expansão, posicionando o Reino Unido como um dos principais atores no desenvolvimento da energia de fusão.
“Cadeias de abastecimento robustas serão essenciais para o sucesso da fusão, pelo que existem oportunidades de crescimento para PME na próxima década, se conseguirem ultrapassar os desafios iniciais. Informação fiável será fundamental”, sublinha Melanie Windridge, fundadora da Fusion Energy Insights, que colaborou na criação do guia.
A energia de fusão está a entrar numa fase de demonstração após décadas de investigação. Segundo a UKAEA, nos próximos 15 anos, serão testadas centrais experimentais para avaliar a produção fiável de eletricidade, com o objetivo de alcançar resultados de energia líquida positiva antes de 2040. Projetos como o STEP no Reino Unido e o ITER a nível internacional preveem demonstrações em grande escala entre as décadas de 2030 e 2040.
No setor público, os governos investem centenas de milhões de libras por ano em programas nacionais de fusão. O principal projeto internacional é o ITER em França, considerada a maior experiência de fusão do mundo, sendo financiado pela União Europeia, China, Índia, Japão, Coreia, Rússia e Estados Unidos.
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